Hoje na Câmara de Vereadores de Tubarão será assinado a Lei que institui a Semana de Conscientização à Humanização do Nascimento

Muitas pessoas em Tubarão, estão envolvidas na causa do parto humanizado. Na sessão de hoje da Câmara de Vereadores a população é convidada a participar do ato de assinatura da Semana de Conscientização à Humanização do Nascimento.

A doula, Michele Wanderlind que luta pela causa da humanização do parto,  explica que muitas pessoas acreditam que parto humanizado é apenas o parto feito em casa ou na água. Na verdade, a humanização do nascimento é o resgate do protagonismo da mulher. “É o parto tranquilo, onde a criança nasça como a mãe deseja, com o mínimo de intervenções possíveis. É o parto com respeito, amoroso, onde o bebê é recebido com dignidade e sem violência obstétrica”.

O parto não pode ser um momento de trauma e sim de boas lembranças. A mulher precisa ter consciência do seu corpo, no que ajuda e prejudica na hora do nascimento da criança. Sofrer algum tipo de violência obstétrica é realidade para 1 em cada 4 mulheres no Brasil, segundo o estudo “Mulheres brasileiras e gênero nos espaços público e privado”, realizado pela Fundação Perseu Abramo em parceria com o Serviço Social do Comércio (SESC), em 2010. O Brasil não possui lei federal que especifique esse tipo de violência.

Michele explica que aqui em Tubarão há a Lei das Doulas (Responsáveis por dar apoio, esclarecimentos e orientações, as doulas são mulheres com experiência e conhecimento em gestação, parto e puerpério que acompanham as parturientes). Atualmente, o acompanhamento de doulas não é permitido na maioria dos hospitais, e a gestante tem que escolher entre a companhia da profissional ou do marido durante o trabalho de parto).

A lei aprovada, vem sendo implementada lentamente, mas já é possível perceber que os hospitais abraçaram também a causa e estão investindo em processos mais humanizados e em profissionais com este perfil.

Como se configura a violência obstétrica?

 

VIOLÊNCIA POR NEGLIGÊNCIA – Negar atendimento ou impor dificuldades para que a gestante receba os serviços que são seus por direito. Essa violência ocasiona uma jornada de busca por atendimento durante o pré-natal e por leito na hora do parto. Ambas são bastante perigosas e desgastantes para a futura mãe. Também diz respeito a privação do direito da mulher em ter um acompanhante, o que é garantido por lei desde de 2005.

 

VIOLÊNCIA FÍSICA- Práticas e intervenções desnecessárias e violentas, sem o consentimento da mulher, como a aplicação do soro com ocitocinalavagem intestinal (além de dolorosa e constrangedora, aumenta o risco de infecções), privação da ingestão de líquidos e alimentos, exames de toque em excesso, ruptura artificial da bolsa, raspagem dos pelos pubianos, imposição de uma posição de parto que não é a escolhida pela mulher, não oferecer alívio para a dor, episiotomiasem prescrição médica, “ponto do marido”, uso do fórceps sem indicação clínica, imobilização de braços ou pernas, manobra de Kristeller (procedimento banido pela Organização Mundial de Saúde, em 2017). A cesariana também pode ser considerada uma prática de violência obstétrica, quando utilizada sem prescrição médica e sem consentimento da mulher. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o segundo país com maior percentual de partos realizados por cesárea no mundo: enquanto a OMS orienta uma taxa ideal entre 25 e 30%, a realidade brasileira aponta que 55,6% dos partos são realizados com essa prática. O percentual é ainda mais alto na medicina privada, na qual 85,5% dos partos são feitos a partir de cesariana, de acordo com dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar.

 

VIOLÊNCIA VERBAL – Comentários constrangedores, ofensivos ou humilhantes à gestante, seja a inferiorizando por sua raça, idade, escolaridade, religião, crença, orientação sexual, condição socioeconômica, número de filhos ou estado civil, seja por ridicularizar as escolhas da paciente para seu parto, como a posição em que quer dar à luz.

 

VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA – Toda ação verbal ou comportamental que cause na mulher sentimentos de inferioridade, vulnerabilidade, abandono, medo, instabilidade emocional e insegurança.

 

VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA EM CASOS DE ABORTAMENTO – Embora seja muito aliada ao parto em si, mulheres que sofreram um aborto também podem ser vítimas de violência obstétrica. Isso pode acontecer de diversas maneiras: negação ou demora no atendimento, questionamento e acusação da mulher sobre a causa do aborto, procedimentos invasivos sem explicação, consentimento ou anestesia, culpabilização e denúncia da mulher.

É importante salientar que a violência não parte apenas do médico obstetra. Ela pode ser cometida por toda a equipe de saúde e até por recepcionistas e pela administração do hospital.

 

Elsie Cademartori
Jornalista SC03293JP

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